Fórum Inovação e Excelência Médica como Diferencial, realizado pelo O Estado de S. Paulo em parceria com a Dasa, reuniu mais de 170 participantes para discutir sobre o desafio de digitalizar o setor de saúde.

A digitalização do setor de saúde está em estágio inicial e é necessário que exista união entre os diversos players para que o atual volume de dados disponíveis seja utilizado com o foco de melhorar a jornada do paciente. Com o intuito de estimular essa integração, a Dasa realizou o evento Inovação e Excelência Médica como Diferencial, em parceria com O Estado de S. Paulo, na última quinta-feira, 5, no Cubo, com mais de 170 participantes.


“O médico precisa ter tempo para cuidar do paciente”, disse Rafael Canineu, diretor médico de value-based da Dasa, durante o primeiro painel sobre “Os desafios do uso de dados em saúde e as mudanças na relação entre médico e paciente”, resumindo o direcionamento de uma das transformações iniciais a partir da digitalização do setor privado. Ao longo dos anos, a papelada cresceu, a remuneração diminuiu e o tempo de consulta encurtou. Agora, com novos processos digitais, o objetivo principal é dar condições para o médico voltar toda a sua atenção ao paciente. “Evidentemente, o trabalho começou pelo médico e o desafio é integrar os outros players. Quando o paciente está solto na cadeia de saúde, ele não se sente cuidado”, corroborou Tereza Veloso, diretora médica e de rede credenciada da SulAmérica Saúde.



Com processos mais facilitados e mais tempo de qualidade, o caminho é usar os dados para vencer a medicina reativa e assim resgatar a que previne e cuida da saúde, afirmou Canineu. Cada vez que o paciente consulta um médico, ele recebe uma solicitação e chega a realizar o  mesmo exame três vezes. “Onde está o cuidado com a saúde nesses casos?”, provocou Tereza. Além de aprimorar a jornada do paciente, os dados disponíveis poderiam permitir insights de cenário, perfil epidemiológico e comportamento.


Neste ponto, no entanto, há um outro desafio, que é a construção do histórico único do paciente respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) – nova norma que entra em vigor em 2020. Para Claudia Cohn, membro do Conselho da Abramed, há espaço para estruturar entre os players as escolhas das informações e exames que acompanham o CPF ou o documento de estrangeiro, por exemplo dados imutáveis, como o tipo sanguíneo. O diretor-clínico do Hospital Santa Paula, Otávio Gebara, defendeu que “queria ter filmes dos pacientes e não fotografias”. A construção de um prontuário único pode ter início no setor público. O coordenador de inovação digital da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Joel Formiga, apresentou um passo a passo, já em andamento, dessa implementação.
 


A realidade é que, no dia a dia, o paciente já é digital e quer ser tratado assim nos atendimentos de saúde. O diretor-geral da Amazon/AWS Brasil, Cleber Morais, no painel “Como a inteligência de dados auxilia e agiliza diagnósticos”, destacou que o Alexa, inteligência artificial da Amazon, já ligou para um serviço de atendimento e salvou uma vida. Para acompanhar essa mudança de comportamento, Emerson Gasparetto, vice-presidente da área médica da Dasa, enfatizou que as empresas precisam, primeiro, passar por uma transformação cultural.

Outra virada de pensamento, para Emerson, é desapegar do “como” se faz um processo para o “porque”, pois o fato de ser realizado há 30 anos e funcionar não impede que um processo possa ser totalmente transformado, via tecnologia, para uma experiência mais simples e qualitativa nas jornadas do médico e do paciente. No terceiro painel, “O uso da tecnologia para antecipação do cuidado”, a mudança de cultura voltou à pauta com a necessidade de direcionar as transformações primeiramente para os atuais problemas e processos. “Vivemos uma era de soluções atrás de problemas, enquanto temos que discutir quais problemas queremos resolver. Não basta ter a informação, nossa inquietação precisa estar na aplicação da forma mais adequada”, pontuou Leonardo Vedolin, diretor médico da Dasa.

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