Um grande experimento cardíaco se iniciou na quinta-feira, 6/12, no momento em que a Apple liberou um update para o seu WatchOS, agora na versão 5.1.2, e o app de ECG.

A última versão dos aparelhos é capaz de fazer um eletrocardiograma (ECG) básico. Desde então, já começam a pipocar histórias de pacientes que descobriram ter fibrilação atrial e buscaram as emergências de hospitais para confirmar o diagnóstico. Muitos médicos, porém, temem uma epidemia de falsos positivos.

 

Smartwatches já medem o número de batimentos cardíacos por minuto, bpm, faz vários anos. É o que usamos para medir esforço durante a prática de exercícios. Mais do que isso, eletrocardiogramas avaliam o padrão destes batimentos — se o ritmo é irregular, se é muito rápido, ou muito devagar. Num hospital, o eletro consiste de 10 eletrodos que avaliam dez pontos distintos do corpo e medem como o coração é percebido de cada um destes pontos. O Apple Watch só tem dois eletrodos: um no cristal que fica contra o pulso, e o outro na coroa.

 

Ele é, portanto, bem menos preciso. Ao menos em teoria.

 

A Apple aposta, porém, no uso de inteligência artificial. Ao longo do último ano, comparou inúmeras medições captadas pelo maquinário tradicional e com o relógio simultaneamente. Isto permitiu calibrar o software para compreender padrões com mais precisão do que apenas os dois eletrodos dariam.

 

FDA, Smartwatches e ECG

A FDA, autarquia americana que autoriza venda de remédios e equipamentos médicos, liberou o app para uso com o Apple Watch mas não o aprovou. Pode ser usado, mas não é oficialmente reconhecido para diagnóstico. E há uma condição: o uso só é liberado para quem tem mais de 22 anos. Antes disso ele é considerado demasiadamente impreciso.

O experimento começou. Seu grau de precisão será conhecido nos próximos meses. Um eletro portátil assim pode, potencialmente, salvar muitas vidas.

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