Mais de 100 pessoas se reuniram em uma jornada de 54 horas para desenvolver negócios que utilizassem inteligência artificial. De 11 startups, 4 resolveram problemas do setor de saúde, 2 foram ao pódio.

A semana começou com quatro novas startups que utilizam inteligência artificial para resolver problemas do setor de saúde. Dos 11 planos de negócio desenvolvidos no primeiro StartupWeekend de Inteligência Artificial da América Latina, que aconteceu entre os dias 16 e 18 de agosto, em São Paulo, dois que chegaram ao pódio são de saúde. Em primeiro lugar, o projeto Extravision, que utiliza IA deep learning em análise de lâminas de exames de citologia oncológica. Na terceira posição, o Ávida, com o objetivo de aplicar tecnologia na leitura de dados médicos científicos para auxiliar no atendimento via telemedicina e desafogar os pronto-atendimentos.

O SW é um projeto promovido pela comunidade para disseminar conhecimento. Com esse espírito de contribuição, reuniu, na mesa de jurados, nomes de grandes empresas de tecnologia: Augusto Delfiol, Sebrae-SP; Renan Vilas Novas, da Microsoft; Keiko Mori, do Google Brasil; Ana Cláudia Vieira, da IBM; Marco Antonio Basílio de Oliveira, da Deal; e Eraldo Bernardino, da Dasa. A Dasa, maior empresa de diagnósticos da América Latina, e a Deal, empresa de consultoria de tecnologia, foram as patrocinadoras master do evento.


Os 94 participantes foram divididos em 11 grupos e tiveram 54 horas para passar por toda jornada empreendedora do desenvolvimento de uma ideia até o primeiro pitch. Contaram com 22 mentores e ainda 25 pessoas na oganização. Foi a primeira vez de Felipe Kitamura, head de IA na Dasa, em um SW e, na função de mentor, surpreendeu-se com a capacidade das equipes em gerar negócio em um curto período. “Mostra que existem pessoas empolgadas e preparadas para trazer IA para resolver problemas reais”, diz. O mentor Lucas Baião, da Deal, também estreou. “A gente aprende de novo ao ver o resultado de um conhecimento transmitido”, conta listando alguns processos que não usa no dia a dia e teve a oportunidade de revisitar. Já experiente em eventos de comunidade como esse, Thaissa Sanches, especialista em IA e uma das mentoras, explica que participa porque concluiu que “a melhor forma de aprender é compartilhar conhecimento”. A diversidade do grupo de mentores do StartupWekeend IA incluiu a primeira criança nesse papel na história do SW, o Teteus Bionic, de 13 anos.

Na liderança da organização toda estava Patricia Barbosa, idealizadora do CyberEduca, negócio voltado ao ensino de tecnologias, como IA e robótica, para crianças. “Para mim o sucesso foi ver todo mundo falando sobre inteligência artificial sem medo. Não tenho como mensurar aquilo que eu tinha no coração acontecendo, muito feliz”, comemora. Depois de participar de vários SWs, esse foi o primeiro que liderou com o desafio de quebrar a falsa complexidade que ainda envolve o tema.

As vendas para o evento se encerraram uma semana antes, com uma lista de 70 pessoas na espera. Para organizar um SW, é preciso ter participado de um e ter a coragem de encarar o desafio de participar da mesma jornada empreendedora sozinho na realização do evento. Todas essas funções são ocupadas voluntariamente. “Fiquei surpresa como o ambiente influencia. Ter feito dentro da Dasa contribuiu bastante para termos tantos projetos na área da saúde”.

A escolha dos jurados considerou o tamanho da dor que as startups abraçavam. A ideia do Extravision, que recebeu o troféu de primeiro lugar, ocorreu à Alef Alves na sexta-feira, primeiro dia do evento, quando parou para ouvir podcasts de inteligência artificial e lembrou das leituras via microscópio que conheceu ao entrar na Dasa. Em segundo, ficou a startup iPermutei, que propõe juntar pessoas com interesse em trocar imóveis. “Sou corretor de imóveis há 26 anos, e  7 em cada 10 clientes me perguntam se aceito imóvel como pagamento”, conta Romério Fonseca. Em terceiro, o Ávida, que utiliza IA para leitura de dados científicos, também veio de quem conhece bem o setor. A idealizadora, Laura Passos, é representante do British Medical Journal no Brasil. “No momento que perguntaram de ideias, comecei anotar tudo de saúde e a primeira coisa que me veio foi a quantidade de dados científicos”.

Thaissa Sanches vê esse conhecimento ainda engatinhando no Brasil. Para ela, o público jovem que hoje tem contato com inteligência artificial, amanhã empreenderá em suas áreas. “Melhor momento para aprender é se desafiando”, define. A participante Aline Penha, por exemplo, trabalha com treinamento e desenvolvimento de pessoas, e decidiu se inscrever no primeiro SW porque está estudando processos mais ágeis. Uma mostra de como o profissional inovador vai muito além dos perfis da área de TI, que entendem as estruturas das novas tecnologias.

Tags
  • inteligência artificial
  • Startups
  • Cultura de Inovação