O DasaHub foi conferir como estão as crianças com agenesia de membros que foram presenteadas com próteses 3D em etapa do programa de Trainee 2019.

Foi uma surpresa. Em parte do processo seletivo, os 16 aprovados no programa Jovens Talentos Trainee Dasa 2019 foram solicitados a participar da confecção de dispositivos 3D para crianças com agenesia de membros ou amputadas apoiadas pela Associação Dar a Mão. “A inclusão dessa etapa no processo seletivo de trainees é importante pois aproxima os jovens dos nossos pacientes e do propósito da companhia de ter o bem-estar do paciente no centro”, explica Daniela Aparecida Sales, especialista em Desenvolvimento Organizacional da Dasa, pelo processo de Trainee.


Hoje, um ano depois, todas as crianças que participaram da ação passaram por uma transformação positiva, de acordo com a fundadora e presidente do Conselho de Administração da instituição, Geane Poteriko. Cada uma à sua história. De Santo André (SP), o Rafael Fernandes, de cinco anos, pode contar até 10 com os dedinhos na aula de matemática com seu dispositivo do Batman. Nicolly Bandeira Nível, 13 anos, de Campo Mourão (PR), realizou o sonho de fazer um coração com as duas mãos, sendo uma de princesa. Com os dispositivos 3D, as crianças podem andar de bicicleta, segurar brinquedos, copos, talheres ou, como fizeram a Gabriella Samaniego Bringel, de Araucária (PR), e a Emanuelle Araújo, de Belo Horizonte (MG), começar a tocar violão.



A personalização permitida pela impressão 3D acrescenta uma melhora imediata na autoestima, além disso, o modelo adapta melhor nas crianças porque as próteses de membro superior disponíveis no mercado ou pelo SUS são pesadas e não acompanham o crescimento, fora o alto custo. Outra vantagem, para crianças e adultos, é que o uso do modelo 3D estimula regiões do corpo, como o braço e a mão com agenesia, prevenindo atrofia muscular e auxiliando na fisioterapia. “O impacto na qualidade de vida é comprovado pela funcionalidade aplicada na prática e pela alegria no uso”, define Geane.


Quando a criança nasce com ausência ou malformação de membro, naturalmente aprende a realizar todas as atividades à sua própria maneira. Mas em algumas situações a dificuldade pode ser acentuada, no caso de amputação, a criança tem uma vida menos funcional, além das questões de exclusão social, autoestima e aceitação pessoal. Desde a função, há quatro anos, a Associação Dar a Mão, de São João do Ivaí, Paraná, já conseguiu viabilizar mais de 500 doações de próteses 3D para crianças e adultos, além do acolhimento familiar e suporte oferecido pela rede de apoio da instituição, composta por profissionais de diferentes áreas. As crianças são acompanhadas por uma equipe multidisciplinar do Núcleo de Pesquisa e Tecnologia Assistiva da PUC-PR, que inclui fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, técnicos para ajustes ou manutenção dos equipamentos, e profissionais para orientações à família.


As possibilidades para o uso dos dispositivos 3D tendem a crescer com a democratização dessa tecnologia. Dara Poteriko, filha de Geane, é o caso de uso mais precoce do Brasil. Aos 3 aninhos, passou a ter uma mãozinha de princesa e não quis soltar nem mesmo durante hora de dormir.

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