Uma das tecnologias apresentadas na última South by Southwest (SXSW), o congresso de cultura digital que ocorre todos os anos em março, na cidade texana de Austin, foi um rim impresso em 3D.

Não era um órgão artificial — estes ainda não são possíveis. Mas era um modelo que permitiu, aos médicos, que se preparassem para a cirurgia.

 

A situação era peculiar. Uma jovem mãe de 22 anos sofria de insuficiência renal grave. Seu pai queria lhe doar um de seus rins — mas o órgão vinha com um tumor benigno num ponto particularmente difícil de atingir em seu interior. A partir das tomografias realizadas, uma equipe de engenheiros produziu uma cópia exata em 3D do rim para que os cirurgiões liderados pelo dr Tim Brown, do Belfast City Hospital, pudessem planejar a cirurgia: tirar o órgão, com o mínimo de dano e o máximo de agilidade extrair o tumor, para então reimplantar na moça seu novo rim.

 

A tecnologia do 3D está lentamente entrando no cotidiano médico, em geral de formas muito criativas.

 

Pesquisadores do MIT, em Massachussetts, elaboraram uma pílula impressa em 3D que tem, por característica, resistir ao ambiente extremamente ácido do estômago. Impressa em polímeros que alternam camadas rígidas e flexíveis, a pastilha é capaz de se manter no espaço gástrico por um mês sem que se dissolva completamente. Isto permite que sensores possam enviar por Bluetooth, para um médico, informação que possa lhe ajudar no diagnóstico.

 

O ponto no qual a tecnologia não chegou ainda é o da impressão de órgãos. Pedaços de ossos — mandíbulas, joelhos, até a cavidade ocular — já foram impressos e utilizados como próteses. Para órgãos, porém, entra o problema de precisão: não é possível, ainda, reproduzir os delicados capilares internos. Mas uma startup de San Francisco, a Prellis Biologics, acha que conseguirá imprimir capilares, utilizando-se de biomateriais, antes do ano 2025. Reproduzir esta microvasculação é o primeiro passo para a produção de órgãos que podem ser utilizados em transplantes. 

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