A importância das startups de saúde já chamou a atenção das grandes empresas de tecnologia. Agora, é a vez do South by Southwest, grandioso evento de cultura digital, voltar as atenções para as healthtechs.

Quando Hugh Forrest chegou, em 1994, o South by Southwest era um festival de música pouco conhecido que agitava, uma vez por ano, a capital texana. Austin. Ele havia sido contratado com uma missão: criar um braço para artes interativas, que ampliasse o alcance do evento na direção do que, na época, era o suprassumo digital. CD-Roms. Forrest o fez, um ano após o outro, até tornar SXSW o maior evento de cultura digital do mundo. Seu cargo é o de diretor responsável pela programação. Foi sua a decisão, em 2017, de incluir um espaço fixo para mesas, palestras e eventos ligados ao encontro de saúde e tecnologia. Neste último fim de semana, a revista Modern Healthcare pôs no ar uma entrevista com o curador. Como tanto nos palcos como na plateia da SXSW passam alguns dos nomes de maior impacto dos negócios, da cultura e da política americana, a seleção de Forrest termina por ter grande influência nos debates americanos. E, portanto, do mundo.

 

“Mais e mais empresas de tecnologia estão empurrando a indústria da saúde”, ele afirma. “O Apple Watch e as iniciativas do Google são um exemplo. Também há mais inovações surgindo com um elemento de saúde, seja a nova geração de roupas, de utensílios domésticos ou mesmo interfaces para a casa. Estas indústrias todas estão convergindo, um ano após o outro.”

 

Para Forrest, o festival é também uma extensão natural de Austin, a rara cidade democrata num estado republicano, cheia de estudantes universitários, bandas de garagem e um espírito particularmente inovador. Um ano antes de SXSW abrir para healthtech, abriu as portas por ali a Dell Medical School, Escola de Medicina da Universidade do Texas. Financiada com dinheiro da Fundação Michael & Susan Dell, que gerencia a fortuna do fundador da Dell Computers, a faculdade nasceu já promovendo o encontro entre medicina e tecnologia. Há locais nos Estados Unidos com mais tradição em medicina, mas, para o curador, as possibilidades de encontros de pessoas vindas de disciplinas diferentes podem colaborar mais para o surgimento de novas ideias do que os locais onde o conhecimento está mais sedimentado — cristalizado.

 

“Nós tendemos a dar mais foco para startups”, ele conta. “Mas estamos sendo procurados cada vez mais por investidores que procuram tecnologia de saúde, além de médicos com espírito empreendedor.” Sua intenção é tornar o evento um dos marcos anuais mais importantes do setor. A julgar pelo sucesso passado em outras áreas, conseguirá.

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