Vacina contra Coronavírus: Quanto tempo até a prevenção da COVID-19?

Danielle Miranda,
Publicado em:

Atualizado em 12/06/2020

A vacina contra Coronavírus é a esperança de controlar a nova doença que, até o momento, já infectou milhões de pessoas ao redor do mundo e causou milhares mortes.

Estudos estão sendo realizados diariamente por pesquisadores em busca da imunização. Aqui trazemos informações sobre como estão sendo realizados esses estudos e testes de vacinas para Coronavírus.

Vacina de Oxford é produzida em grande escala em 4 países

Pesquisadores de Oxford desenvolveram uma vacina que está sendo produzida em grande escala em fábricas da Índia, Suíça, Noruega e Reino Unido.

Caso os resultados dos testes que estão sendo realizados em voluntários sejam promissores, milhões de vacinas poderão ser produzidas de imediato para distribuição.

Os testes estão sendo realizados em pelo menos 10 mil pessoas ao redor do mundo, inclusive no Brasil.

Considerado atualmente como o epicentro da doença, o Ministério da Saúde diz que testes em São Paulo e no Rio de Janeiro começarão a partir do mês de junho em 2 mil voluntários que não tiveram contato com a doença anteriormente. O resultado analisará a segurança da imunização.

Antes dos testes serem conduzidos no Brasil, a vacina foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com o auxílio do Ministério da Saúde.

A vacina para o Coronavírus já existe?

Até o momento não existe vacina para o Sars-CoV-2. A COVID-19 surgiu no final de 2019 em Wuhan, na China, e por ter sido descoberta recentemente ainda não existe uma imunização eficaz para reduzir a taxa de infectados.

A COVID-19 costuma levar a quadros mais graves em pacientes que pertencem ao grupo de risco, que são idosos com mais de 60 anos e pessoas com doenças pré-existentes. Nesse momento, é necessário desenvolver uma imunização que seja eficaz para toda a população e principalmente na proteção de pacientes mais vulneráveis, considerados grupos de risco que, por conta da deterioração natural do sistema imunológico produzido pelo envelhecimento ou por fatores de risco que os impactam sua imunidade, são menos capazes de desenvolver uma resposta imunológica em comparação às crianças, aos jovens e aos adultos saudáveis em geral. No entanto isso não significa que não haja mortalidade entre pacientes saudáveis, no entanto essas ocorrem em menor número.

Outra consideração para o desenvolvimento da vacina é que a resposta imunológica com produção de anticorpos e células de defesa pode não ser permanente e diminuir com o passar do tempo. Mesmo após a infecção por Coronavírus, não é possível afirmar que ocorre indução de anticorpos de longa duração, portanto, existe a possibilidade de uma reinfecção após um período.

Qual a previsão da chegada da vacina contra o Coronavírus?

Cientistas de todo mundo estão em busca da vacina contra o Coronavírus, no entanto ainda não é possível prever quando ela será descoberta e estará disponível em grande escala. A imunização requer um investimento muito alto e tempo para que seja possível desenvolvê-la, recrutar voluntários apropriados e realizar um acompanhamento adequado dos indivíduos vacinados, para só então produzi-la.

Como está o avanço da pesquisa de cientistas em busca da vacina da COVID-19?

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), mais de 100 vacinas já estão em estudo em fase pré-clínica, que são testes realizados em laboratórios e 8 imunizações já estão sendo testadas.

As vacinas estudadas seguem diferentes estratégias, são elas:

Vírus inativado: Nessas vacinas, o vírus é inativado em laboratório por meio de produtos químicos como formaldeído ou calor.

Vacinas de ácidos nucleicos: São vacinas que consistem em DNA ou de RNA nos quais se insere uma fração do RNA do Coronavírus. As células da pessoa vacinada produzirão proteínas do vírus SARS-CoV-2 e desenvolverão uma resposta protetora contra o vírus selvagem.

Vacinas de vetores virais: Um vírus como o adenovírus é geneticamente modificado para produzir proteínas de Coronavírus no organismo. Esses vírus são enfraquecidos ou atenuados para não causar nenhuma doença.

Vacinas proteicas: São usados fragmentos de proteínas ou invólucros de proteínas que imitam a camada externa do Coronavírus.

O sistema imunológico humano é capaz de reconhecer novos patógenos (invasores). A imunização funciona de modo a impedir que o vírus se conecte aos receptores ACE2, evitando que penetre nas células.

Os pesquisadores realizam testes para acompanhar os níveis de anticorpos produzidos no corpo humano e os possíveis eventos adversos que possam ocorrer.

Em 15 de maio de 2020, a empresa americana Sorrento Therapeutics localizada em San Diego, na Califórnia, anunciou que pretende gerar um coquetel de anticorpos que funcionaria como um “escudo protetor” contra a infecção por Coronavírus SARS-CoV-2. A empresa examinou bilhões de anticorpos humanos e já identificou que, aproximadamente, 12 desses anticorpos demonstraram capacidade de bloquear a interação da proteína S1 com a enzima conversora de angiotensina 2 humana (ACE2), receptor usado para entrada viral nas células humanas.

De acordo com a Sorrento Therapeutics, durante as fases de teste, um anticorpo chamado de STI-1499, mostrou-se capaz de bloquear completamente a infecção por SARS-CoV-2 em células saudáveis. O anticorpo neutralizou completamente o vírus mesmo em concentração baixa de anticorpos, tornando-se o candidato principal para testes adicionais.

“Nosso anticorpo STI-1499 mostra um potencial terapêutico excepcional e pode potencialmente salvar vidas após a sua aprovação pelas entidades regulatórias. Nós da Sorrento, estamos trabalhando dia e noite para concluir as etapas necessárias para tornar este candidato a vacina aprovado e disponível ao público”, afirmou Dr. Henry Ji, Presidente e CEO da Sorrento.

A empresa está buscando apoio governamental e parceiros farmacêuticos para aumentar ainda mais a capacidade de fabricação da STI-1499, com o

objetivo de fornecer dezenas de milhões de doses em um curto período.

A cura do Coronavírus no Brasil vai demorar?

O tempo da cura do Coronavírus no Brasil ainda é incerto, muitos medicamentos e combinações de medicamentos estão sendo testados para o tratamento da doença. Os testes são essenciais para verificar a eficácia e a segurança na cura da infecção e os eventos adversos que podem ocorrer.

De acordo com um estudo publicado pelo New England Journal of Medicine, o uso da cloroquina é ineficaz para o tratamento da doença. Diversos antivirais e outros medicamentos vêm sendo testados, mas ainda não se dispõe de uma droga realmente segura e eficaz. Há de reforçar, ainda, que o uso de medicamentos deve ser analisado pelo médico que atende ao paciente, pois toda droga provoca efeitos colaterais adversos ao seu propósito e não pode ser indicada a qualquer pessoa indiscriminadamente.

Qual a previsão de vacina para COVID-19 no Brasil?

Ainda não há uma previsão para que uma vacina para COVID-19 esteja disponível no Brasil.

Por que vacina e não remédio contra o Coronavírus?

Alguns medicamentos têm sido testados para diminuir os sintomas e evitar complicações. Um deles é a heparina, um anticoagulante que pode agir sobre coágulos que se formam nos vasos sanguíneos responsáveis pela oxigenação do sangue, melhorando a evolução de pacientes com quadros graves de COVID-19.

Busca-se também um antiviral que aja contra o vírus, que seria útil no caso de pacientes que já se infectaram pelo SARS-CoV-2.

Por outro lado, uma vacina possibilitará a redução da disseminação do vírus e protegerá quem não adquiriu a doença.

Todos esses esforços permitirão em conjunto controlar a pandemia.

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