A nova mutação do vírus SARS-CoV-2, identificada no Brasil e no mundo, não afeta a sensibilidade dos testes de PCR da Dasa.

A variante do SARS-CoV-2, inicialmente detectada no Reino Unido, em setembro, denominada B.1.1.7, apresenta um número expressivo de mutações em relação a sequência original encontrada em Wuhan.

 

Embora mutações sejam absolutamente naturais no processo de replicação viral, esse novo isolado tem preocupado as autoridades, porque rapidamente se tornou a linhagem predominante na Inglaterra, sendo denominada VOC-202012/01 (Variant Of Concern), em 18 de dezembro de 2020, pela autoridade de saúde inglesa (Public Health England). 

 

O fato de que esse isolado está se tornando o mais frequente em uma extensa região geográfica, sugere uma maior capacidade infecciosa e/ou de transmissão quando comparado as demais linhagens. Dados adicionais demonstram que a linhagem está associada a cargas virais mais altas, o que também pode contribuir para sua maior transmissibilidade.

 

Ao analisar as mutações encontradas, vimos que oito delas ocorrem na região que codifica a proteína da espícula viral (S=”Spike”). Mutações na spike, envolvida na ligação ao receptor celular ACE2, tem maior potencial para alterar algumas das propriedades biológicas do vírus, portanto essas mutações têm sido as mais valorizadas e investigadas.

 

Não se encontrou qualquer evidência de que esta variante seja mais patogênica. Para a medicina diagnóstica, a principal preocupação é o impacto dessas mutações sobre o desempenho dos testes em uso até o momento (janeiro/2021).

 

1- Potencial impacto sobre testes moleculares

 

As informações das regiões gênicas empregadas como alvo de amplificação dos testes moleculares pelas publicações britânicas são as mesmas em uso na Dasa. Nenhum teste molecular tem como alvo exclusivo o gene S, mas também outros genes adicionais. Dessa forma, ainda que a reatividade do gene S seja negativada, os outros genes-alvo permanecem positivos, garantido o resultado correto da amostra.

 

Os fabricantes emitiram notas técnicas informando que as mutações nos outros genes não alteram o diagnóstico do SARS-COV-2. A diferença para identificação da linhagem está, justamente, no perfil de 2 alvos +/1 alvo, que foi o que chamou a atenção dos cientistas ingleses e levou a caracterização da linhagem.

 

Aqui no Brasil foi este perfil obtido em duas amostras de saliva que levou a Dasa a identificar a presença da linhagem pela primeira vez na América Latina. Saiba mais, aqui. Cabe ressaltar que a ausência de amplificação não impacta o diagnóstico, que já é considerado como “Detectado” com a amplificação de quaisquer dois alvos entre os três testados.

 

Conclusão:

A linhagem B.1.1.7 não ocasiona resultados falso-negativo de RT-PCR com os kits usados pela Dasa.

Testes de antígeno de SARS-CoV-2 possuem anticorpos que capturam o(s) antígeno(s) viral(is) em amostras de naso/orofaringe em swab. Existe grande variabilidade quanto à composição antigênica das dezenas de testes de antígeno para SARS-CoV-2 disponíveis no mercado, mas como a B.1.1.7 tem duas mutações, os kits foram avaliados pelo governo britânico e não foi verificada perda de sensibilidade. Testes baseados exclusivamente na proteína S poderão ter sua eficácia (sensibilidade) reduzida para amostras da linhagem B.1.1.7, porém isso ainda não foi demonstrado.

 

2 - Potencial impacto sobre testes sorológicos (anticorpos)

 

Assim como os testes de antígeno, os kits de detecção de anticorpos são muito variáveis em sua composição e não há, ainda, nenhum dado publicado na literatura sobre eficácia e sensibilidade desses tipos de testes.

 

Em teoria, poderão ser mais impactados ensaios que utilizam como antígeno a proteína S exclusivamente, em especial os testes que verificam anticorpos neutralizantes. Entretanto, essas teorias precisam ser confirmadas e a Dasa fará a avaliação dos testes antigênicos contra a variante B.1.1.7 e tornará públicos os resultados o mais rápido possível.

 

Os ensaios sorológicos só poderão ser avaliados quando soros provenientes de indivíduos infectados com a variante estiverem disponíveis, o que depende da evolução da linhagem em nosso meio. O governo britânico deve estar conduzindo estas avaliações já que milhares de portadores da variante foram identificados naquele país.

 

 

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