Nem toda testosteronabaixa é hipogonadismo:o desafio diagnóstico na obesidade masculina
A prevalência alarmante da obesidade nas últimas décadas desencadeou um fenômeno clínico preocupante: um crescimento expressivo e não justificado das prescrições de testosterona, que aumentaram cerca de cem vezes em trinta anos, sem expansão das indicações reconhecidas por diretrizes baseadas em evidências.
Para o clínico, o desafio reside em distinguir com precisão o hipogonadismo patológico, decorrente de desordens orgânicas, estruturais ou genéticas irreversíveis do eixo hipotálamo-pituitário-testicular (HPT), do “pseudo-hipogonadismo” da obesidade.
Este último deve ser compreendido como uma síndrome de doença não gonadal, um estado funcional e potencialmente reversível.
A diferenciação entre essas condições é essencial para evitar iatrogenia e a indução de uma dependência androgênica em pacientes cujos níveis hormonais são apenas reflexos de seu status metabólico. Por isso, a compreensão da fisiopatologia é o primeiro passo para uma interpretação laboratorial mais criteriosa, que priorize o rigor diagnóstico em vez da intervenção farmacológica precipitada.
Autoras: dra. Clarisse Ponte - Endocrinologista e dra. Laura Girão - Endocrinologista
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