Microbiota Intestinal e Saúde Digestiva
A microbiota intestinal desempenha papel fundamental na manutenção da saúde digestiva, atuando em funções metabólicas, imunológicas e estruturais do trato gastrointestinal.
Alterações na sua composição, conhecidas como disbiose, estão associadas a diversas doenças digestivas, incluindo a Síndrome do Intestino Irritável e a Doença Inflamatória Intestinal. Este artigo revisa os principais mecanismos pelos quais a microbiota influencia a homeostase intestinal, bem como as estratégias terapêuticas voltadas à sua modulação.
Autor: Dr. Decio Chinzon
Médico Gastroenterologista e Endoscopista Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Médico Assistente do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) Head de Endoscopia da Dasa
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Quais são as atualizações nos esquemas vacinais em 2026?
Os calendários vacinais são atualizados periodicamente porque a ciência, os riscos epidemiológicos e as tecnologias em imunização mudam continuamente. A vacinação precisa acompanhar esse dinamismo para manter sua efetividade, segurança e capacidade de proteção individual e coletiva.
Exemplos recentes incluem a intensificação da vacinação contra o sarampo, diante do risco de reintrodução da doença no Brasil, em um contexto de elevada circulação global do vírus em diferentes
regiões. Outro exemplo é a evolução das vacinas pneumocócicas conjugadas, que progressivamente incorporaram novos sorotipos: inicialmente 7, depois 10, 13, 15 e 20 sorotipos, com perspectiva de disponibilidade de vacina 21-valente.
Autora: Dra. Rosana Richtmann
Médica Infectologista
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Teste de absorção de levotiroxina: abordagem diagnóstica em casos de hipotireoidismo refratário
O teste de absorção de levotiroxina(LT4) apoia o endocrinologista na avaliação de pacientes com hipotireoidismo refratário, isto é, aqueles que não atingem a normalização dos níveis de TSH e T4 livre apesar do uso de doses adequadas, normalmente ajustadas ao peso corporal, da medicação e sem outro aparente fator que justifique não estar meta de bioquímica da função tireoidiana. Neste sentido, o teste diferencia dois cenários clínicos distintos: má-absorção intestinal do hormônio versus não adesão ao tratamento (pseudomalabsorção).
Embora o protocolo do teste não esteja completamente padronizado, em geral, envolve a administração supervisionada de uma alta dose de LT4, frequentemente, como dose padrão, 1000 μg ou, em situações como idade acima de 66 anos, 600 μg de LT4, em jejum, com monitoramento sérico de T4 total e livre em intervalos de 2 a 4 horas após a ingestão. A avaliação da resposta, principalmente um incremento de T4 livre superior a 0,40 ng/dL (5,14 pmol/L) ou incremento do T4 total em 60%, indica absorção adequada, sendo a não elevação sugestiva de má absorção comprovada.
A importância clínica do teste reside em evitar investigações desnecessárias e terapias potencialmente agressivas em casos de má-adesão, ao mesmo tempo em que direciona o manejo apropriado para aqueles com distúrbios gastrointestinais reais, que interferem na absorção do hormônio, como doença celíaca, gastrite autoimune, presença do H. pylori, pós-cirurgias bariátricas, entre outros. Na maioria dos pacientes, a má-resposta ao tratamento está mais relacionada à adesão inadequada do que às síndromes de má-absorção orgânica do trato gastrointestinal. Dessa forma, o teste de absorção é valioso para estratificar o paciente, orientar investigação subsequente e evitar o uso de doses excessivamente elevadas de LT4, por exemplo.
Apesar do reconhecimento da sua utilidade, ressalta-se que a técnica e os pontos de corte ainda apresentam variações entre centros e que variáveis como dose utilizada, tempo de coleta, escolha do analito (T4 total ou livre) e cálculo do volume de distribuição podem impactar os resultados. Mesmo assim, recomenda-se atualmente a adoção, quando disponível, de protocolos validados em centros de referência, sendo o incremento de FT4 ≥0,4 ng/dL (5,14 pmol/L) a 3–4 horas após alta dose uma referência robusta para afastar má-absorção, com sensibilidade e especificidade adequados, enquanto incrementos inferiores direcionam a investigação etiológica para condições gastrointestinais específicas e outra condutas para mitigar a não absorção da LT4 e atingir o eutireoidismo clínico e laboratorial.
Autor: Dr. Adriano Namo Cury
Médico Endocrinologista
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