Papanicolau: o que é e como é feito o exame preventivo

Papanicolau: o que é e como é feito o exame preventivo

Dra. Myrna Perez Campagnoli, Dra. Myrna Perez Campagnoli
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A colpocitologia oncológica, conhecida popularmente como Papanicolau em homenagem ao patologista George Papanicolaou, criador do exame de rastreio do câncer de colo de útero no início do século XX, é um exame considerado de rotina para mulheres.

É responsável por salvar inúmeras vidas, sendo capaz de detectar alterações anormais nas células do colo uterino antes que a mulher tenha quaisquer sintomas ou desenvolva o câncer de colo de útero.

O que é papanicolau?

O Papanicolau é um exame citológico de rotina. Sua coleta é simples, rápida e geralmente indolor, podendo causar leve desconforto em algumas pacientes.

Consiste na coleta de células do colo uterino para avaliação ao microscópio. Permite diagnosticar desde inflamações, infecções sexualmente transmissíveis e anomalias celulares possivelmente causadas pelo Papilomavírus humano (HPV) até mesmo casos de câncer de colo de útero. 

Como é feito o exame?

Com a paciente em posição ginecológica (com as duas pernas separadas e apoiadas em um suporte), o médico faz a análise visual da vulva e vagina para observar a presença de algum corrimento ou anormalidade.

Após esse procedimento, o médico introduz o espéculo vaginal conhecido como “bico de pato” que permite analisar a parte interna da vagina e o colo do útero. Assim, utilizando uma espátula especial e uma escova endocervical, o profissional colhe as amostras do tecido do colo uterino que serão levadas para um laboratório especializado.

bico de pato papanicolau imagem do exame

Recomenda-se que o preventivo seja feito entre o décimo e o vigésimo dia após o primeiro dia de menstruação.

Pré-requisitos

Para realizar o preventivo não há nenhum pré-requisito. A paciente deverá apenas estar com seus documentos e pedido médico em mãos quando for ao laboratório na data e horário agendados previamente.

Preparo para o exame de papanicolau

Recomenda-se antes do exame:

  • Não ter relação sexual nas 72 horas que antecedem o exame;
  • Não utilizar duchas de higiene íntima;
  • Não utilizar cremes ou lubrificantes vaginal

Contraindicações

Não há contra indicações absolutas para fazer o exame de Papanicolau. Situações especiais como mulheres que não tenham iniciado a vida sexual e gestantes com mais de 20 semanas de gravidez devem ser avaliadas pelo médico ginecologista.

Tempo de duração

É um exame extremamente rápido, levando cerca de 5 minutos para ser realizado.

Periodicidade

Seguindo as recomendações do Ministério da Saúde, as duas primeiras coletas do Papanicolau devem ser feitas anualmente. Caso não haja alterações, o exame pode ser realizado até de três em três anos. Entretanto, o ginecologista, junto com a paciente, podem definir a periodicidade de acordo com as necessidades individuais de cada mulher.

O exame de papanicolau dói?

Normalmente o exame é indolor, podendo causar apenas um leve desconforto que não demora a passar.

Quais doenças o papanicolau detecta?

O exame é capaz de identificar algumas doenças, como: 

  • Clamídia;
  • Candidíase;
  • Sífilis;
  • Presença de nódulos ou cistos;
  • Gonorreia;
  • HPV, maior causador de câncer de colo do útero;
  • O próprio câncer de colo do útero;
  • Tricomoníase

É importante ressaltar que o Papanicolau é um exame de rastreio e por isso, em caso de exames alterados, há necessidade de complementação diagnóstica, geralmente através de uma colposcopia e biópsia do colo uterino.

A colposcopia é um procedimento em que um microscópio especial permite uma visualização ampliada do colo do útero e a identificação de feridas ou anormalidades na mucosa com biópsia das mesmas.

Como é o resultado do exame?

Abaixo listamos alguns resultados possíveis para o Papanicolau: 

  • Normal ou negativo para câncer –  Material adequado e em quantidade suficiente para análise e sem a presença de células tumorais. Se houver alguma infecção ginecológica, o laudo pode descrever o germe invasor.
  • Papanicolau anormal – ASCUS e ASCH ou lesões de baixo grau:
    • ASCUS – Células Escamosas Atípicas de Significado Indeterminado. Indica a presença de células anormais sem características evidentes de malignidade. Neste resultado se afasta a presença de câncer mas não é possível excluir a presença de lesões pré-malignas. A avaliação da infecção pelo HPV é muito importante na condução dessa paciente
    • ASCH – Células escamosas atípicas, com características mistas, não sendo possível descartar a presença de atipias malignas. É um resultado indeterminado, que requer complementação diagnóstica, pois o risco de existirem lesões pré malignas é significativo.
  • Lesões pré-malignas – LSIL e HSIL ou lesões de alto grau: 
    • LSIL (NIC I) – Lesão pré-maligna com baixo risco de ser câncer, porém, com possibilidade de evolução. Precisa ser melhor avaliada e acompanhada pelo ginecologista.
    • HSIL (NIC II e III) – Grande risco de existirem lesões pré-malignas moderadas/avançadas ou mesmo câncer já estabelecido. Precisa ser melhor avaliada e acompanhada pelo ginecologista.

Atualmente, os termos NIC I, II e III têm maior aplicabilidade nos laudos de biópsia por colposcopia.  

Grávidas podem fazer o exame de papanicolau?

Sim. Recomenda-se que as gestantes façam o Papanicolau até a 20ª semana de gravidez. Após esse período, se houver necessidade, o exame pode ser realizado com maior cuidado.

Onde fazer o exame?

Você pode realizar seu exame em qualquer laboratório Dasa que seja mais próximo a você. Além disso, temos uma plataforma de cuidados integrados responsável por cuidar da sua saúde em todos os momentos.

Com a Nav, você pode receber atendimento via Teleconsulta, marcar seus exames e criar seu histórico com os resultados dos exames, tudo isso em um só lugar.


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Dra. Myrna Perez Campagnoli

Dra. Myrna Perez Campagnoli

Médica endocrinologista e pediatra, possui três especializações: Doenças Metabólicas e Diabetes na Infância, Endocrinologia Pediátrica e do Adolescente e Crescimento e Puberdade, todas pela Universidade Federal de São Paulo. É membro do Corpo Clínico do Hospital Nossa Senhora das Graças e do Centro de Diabetes Curitiba. Além disso, é a médica responsável pelo Setor de Provas Hormonais do Laboratório Frischmann Aisengart – DASA.

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