Perda de olfato ou paladar

Perda de olfato e paladar por coronavírus podem ser irreversíveis? Entenda quanto tempo dura o sintoma e o que fazer

Dra Silviane Praciano Bandeira, Dra Silviane Praciano Bandeira
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Os primeiros sintomas da Covid-19 são muito comuns em infecções virais, o que pode confundir um indivíduo infectado. Febre, tosse seca, cansaço, falta de ar e até diarreia podem ser sinais de infecção. Mas a perda de olfato e paladar pode ser um sintoma presente entre casos da doença e chama a atenção dos pacientes e dos profissionais de saúde.  

Alguns estudos demonstram que o sintoma pode atingir grande parte dos infectados com sintomas leves. Felizmente, a anosmia costuma se reverter poucas semanas após a infecção. Neste texto, vamos entender melhor o que ela é e qual a sua relação com a Covid-19.

O que é a anosmia?

É a perda absoluta do sentido do olfato — a diminuição do sentido é chamada hiposmia. Pode ser causada por diversos fatores: fumo, traumatismo craniano, neoplasias e infecções virais, como a Covid-19.

O problema pode ocorrer quando há um edema ou outro tipo de obstrução intranasal que impede que os odores cheguem à área olfatória.

A anosmia não impede que o indivíduo tenha a percepção sobre o que é doce, salgado, azedo ou amargo, mas ele sente mais dificuldade em apreciar os sabores. O olfato e o paladar estão intrinsecamente ligados. 

Curiosamente, entre os sintomas de coronavírus, o surgimento de anosmia e ageusia (perda do paladar) é muito maior do que em outras infecções virais que afetam as vias aéreas.

Mas é preciso se lembrar de que, ao contrário do que se imaginava, a Covid-19 pode não se apresentar como uma doença meramente respiratória, podendo afetar muitos outros sistemas do organismo, como o cardiovascular, neurológico, digestivo e até a função renal. 

Qual a razão para a perda de olfato pela Covid?

Ainda não há consenso sobre o assunto. No entanto, existem algumas hipóteses.

Uma das explicações para o fato é a ligação do coronavírus a receptores de células do entorno dos neurônios olfatórios. 

Essa ligação causa um edema que pode atrapalhar o acesso das partículas olfatórias aos locais que desencadeiam o sentido do olfato. Como consequência, as sensações olfativas são afetadas.  Além disso, alterações no tecido epitelial  e nos cílios também podem afetá-lo. Há também a suspeita de que a anosmia aconteça por lesão do nervo olfatório causada pelo vírus. 

Certamente teremos mais conhecimento sobre o tema nos próximos meses e anos, conforme os estudos avancem. 


Distorções do olfato e paladar

Além da diminuição e perda, alguns pacientes também relataram outras distorções do olfato e do paladar. Elas se manifestam de algumas formas:

  • Parosmia: distorção dos odores. A pessoa sente cheiro de acetona ou comida estragada em qualquer alimento, por exemplo. Esse tipo de alteração afeta consideravelmente a alimentação
  • Fantosmia: o indivíduo sente odores sem que eles estejam presentes. Por exemplo: cheiro de café, mesmo que não haja a substância no local
  • Cacosmia: o indivíduo acha desagradável um odor que, até então, o agradava, como um perfume
  • Parageusia: é como a parosmia, mas a distorção ocorre nos sabores dos alimentos
  • Fantogeusia: sensação constante de um sabor amargo na boca
  • Hipogeusia: diminuição do paladar no geral ou de alguns tipos específicos de alimentos
  • Hipergeusia: hipersensibilidade para qualquer tipo de sabor


Quanto tempo dura a perda de olfato e paladar da Covid-19?

A maioria dos pacientes apresenta melhora geralmente nas primeiras semanas, entre 14 e 21 dias. Em alguns indivíduos, a alteração pode durar mais tempo. Há relatos de pessoas que referem distúrbios do olfato por mais de sete meses. Esses casos, porém, podem necessitar de alguns exames para melhor investigação e até de tratamento.

perda de olfato e paladar são irreversíveis pelo covid-19? Saiba mais

Além da Covid, quais doenças podem causar perda de olfato?

Geralmente as alterações de olfato estão relacionadas à congestão nasal. Essa associação nem sempre ocorre na Covid-19. Outras infecções respiratórias podem causar alterações no olfato, como influenza ou rinovírus, além de casos de sinusites. Alguns casos de traumatismo craniano e neoplasia também podem causar alteração de olfato. 


Anosmia por resfriado/gripe X Anosmia por Covid-19

Quando um indivíduo fica gripado ou resfriado é comum que sinta anosmia e ageusia. Isso porque o muco obstrui as fossas nasais, impedindo que ele possa sentir aromas normalmente. 

A anosmia na Covid-19 pode não estar associada a congestão nasal ou aumento da secreção. Ou seja, um indivíduo com Covid-19 com sintomas leves pode conseguir respirar normalmente e não sentir cheiros. 


Falta de paladar e olfato por coronavírus pode ser permanente?

Ainda não há uma resposta definitiva para essa pergunta. Os médicos e pesquisadores estão estudando esse fenômeno causado pela doença. Já existem relatos de pacientes com essa alteração há vários meses. Dia após dia, a Medicina entende melhor sobre como a patologia se manifesta e, futuramente, será capaz de esclarecer esses questionamentos. 


O que fazer se o olfato e o paladar não voltarem?

É importante que o paciente observe atentamente os sintomas da perda de olfato e paladar. Com a ausência desses sentidos, ele precisa se cercar de cuidados adicionais, pois corre riscos em sua rotina inimagináveis até então. Por exemplo, ele não perceberá um vazamento de gás ou princípios de incêndio. Pode também ingerir inadvertidamente alimentos deteriorados, que têm o mau odor como primeiro sinal.

Isso pode representar sérias ameaças à saúde e até à vida do indivíduo. Por isso, instalar detectores de gás ou fumaça é uma estratégia interessante. Outra medida seria etiquetar os alimentos com datas para acompanhar melhor o tempo adequado para consumo. 

Vale destacar que um acompanhamento médico é sempre desejável para avaliação de cada caso. Alguns indivíduos merecem uma investigação mais criteriosa, inclusive com exames de imagem. 


Existem tratamentos para esse tipo de sequela?

Avaliação e acompanhamento médico são essenciais para a condução desses casos. Além disso, existem treinamentos para o sentido do olfato, chamados treinamentos olfatórios. 

Essa estratégia consiste em utilizar óleos essenciais ou produtos com cheiros bem característicos para treinar o sentido. Durante o tratamento, usam-se aromas de eucalipto, rosa, cravo, café e limão, por exemplo. O paciente deve cheirar cada produto por alguns segundos, dando intervalo entre eles. Esse treinamento deve ser repetido algumas vezes por dia.  

Algumas medicações também podem surtir efeito, mas seu uso deve ser sempre prescrito e acompanhado por um médico. 


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Dra Silviane Praciano Bandeira

Dra Silviane Praciano Bandeira

Residência médica em Infectologia pelo Hospital São José de Doenças Infecciosas – CE
Mestrado e doutorado em Microbiologia Médica pela Universidade Federal do Ceará
Membro da Sociedade Brasileira de Infectologia e da Sociedade Brasileira de Microbiologia




















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